Negando as aparências

Urbana marota da KTM se despe dos plásticos modernos e veste os metais exclusivos da customização retrô




Com tantas alternativas de modelos que facilmente podem receber uma customização retrô, é improvável que modelos urbanos da família Duke da KTM se tornem candidatos. Combinações de cores chamativas, componentes de performance e linhas cheias de vincos e ângulos compõem o estilo vanguardista, extremamente contemporâneo que caracteriza a marca austríaca. Então por que ter o trabalho de despi-la? Primeiro porque a ideia partiu de um concessionário da marca, que procurou a customizadora Bendita Macchina pedindo um projeto; segundo porque Mauricio Sepulveda, da Urban Helmets, é um apaixonado pela combinação performance/estilo retrô que gostou da ideia e bancou a execução sobre uma 390. Depois de passar pelas mãos da dupla Billy Pasqua e Rodrigo Marcondes não é que parece fazer sentido customizar esta urbana impetuosa?   

Design

“A premissa foi preservar a esportividade característica dela”, conta Billy. O proprietário gosta do estilo flat tracker, que corre em ovais de terra, então o desafio foi agregar algo a um projeto destinado ao asfalto. Foi assim que surgiu a união de linhas clássicas e retas, começando pelo guidão largo e sutilmente inclinado, seguido de um tanque com a parte superior plana (base de Suzuki GT 550) e arrematado pelo conjunto de metal com ângulos acentuados, que dá suporte ao banco e forma a rabeta.

Iluminação

O farol redondo Motogadget é contornado por um feixe de LEDs para cumprir o papel de luz diurna e tem uma lâmpada incandescente tradicional na parte central. As luzes de sinalização são miniaturizadas para não interferir no design e a lanterna, também com LEDs, é retangular de Yamaha XTZ 125 embutida sob a rabeta e harmonizando-se com suas linhas retas.   

Traseira

Suspensões, freios e chassi tiveram as características originais mantidas para preservar dinâmica da Duke. O único ajuste na estrutura foi feito na parte traseira, já curta, para manter a linha lateral plana (elevada não combinaria com o novo estilo) e melhorar a estética. Sem as coberturas plásticas originais foi preciso dar continuidade à treliça e remanejar os componentes eletroeletrônicos que passaram a aparecer.

Cores e detalhes      

O jogo de cores foi praticamente invertido, numa combinação que já se provou bela na 1190 Adventure: o tema principal laranja de chassi e rodas passou a preto, a cor predominante é um cinza chumbo metálico e a cor símbolo da marca adorna detalhes como logomarca e linhas pintadas no tanque, além da mola que antes era branca. O tanque também tem uma faixa preta central em alto relevo – foi aplicado o bocal com a tampa embutida da Duke, instalada a bomba de combustível internamente, criado um compartimento por baixo para esconder mais componentes elétricos e refeita a base para se acomodar no chassi. O abafador instalado entre motor e amortecedor foi eliminado, dando lugar a uma ponteira preta mais longa, na posição tradicional. Quase imperceptível, o para-lama dianteiro curto (sempre de metal) foi pintado no mesmo preto fosco da ponteira, da carcaça do farol e dos suportes de pedaleira, para não se destacar.        

 

Fonte: revistaduasrodas.com.br